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Crise política e econômica na Bolívia afeta exportações do Amazonas

Fonte: Jornal do Commercio

A crise na Bolívia, com a renúncia forçada do presidente neste fim de semana, abriu mais um capítulo de crises políticas em países vizinhos da América Latina, que já engoliram Chile, Equador, Peru, em tempos mais recentes, e já contabilizam Argentina e Venezuela em suas fileiras há anos. E a debacle em mais um dos mercados preferenciais das exportações do Amazonas sinaliza depreciar ainda mais a balança comercial do Estado, que já segue em baixa.

Dados do Mdic (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços) compilados pelo portal Comex Stat apontam que as vendas externas do Amazonas caíram pelo segundo mês seguido em outubro (US$ 66.39 milhões) e ficaram 15,43% abaixo do mesmo mês do ano anterior (US$ 78.50 milhões). O acumulado, que havia saído do vermelho em agosto, recuou 3,96%, passando de US$ 585,14 milhões (2018) para US$ 561,94 milhões (2019).

A Bolívia é um dos países que mais cresceram no ranking de destinos do Amazonas. Contabilizou US$ 52.02 milhões de aquisições no Estado entre janeiro e outubro de 2019, contra US$ 32.52 milhões no mesmo período do ano passado. O país vizinho respondeu por 9,26% das exportações do Estado no acumulado, ficando na quarta posição do ranking local de vendas externas.

Além disso, as compras da Bolívia priorizam manufaturados do PIM em detrimento de produtos primários. A lista inclui concentrados para refrigerantes (R$ 49.67 milhões), aparelhos e lâminas de barbear (US$ 1.75 milhões) e isqueiros (US$ 211.493), todos em maior volume do que em 2018. Neste ano, o país andino passou a comprar também motocicletas da ZFM (US$ 180.730).

O gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam, Marcelo Lima, reforçou ao Jornal do Commercio que os problemas políticos em países vizinhos da América Latina já vêm causando reflexos no mercado preferencial dos exportadores do Estado. “Deve haver alguma retração nas vendas para a Bolívia para novembro e dezembro, dependendo da quantidade de pedidos que já foram formulados antes”, ponderou.

Tamanho e duração

Mas, há dúvidas do tamanho e duração do baque. Com ou sem retração, a Argentina ainda é um dos mercados preferenciais do Amazonas, e ocupa a segunda posição do ranking das exportações locais. Em que pese passar por convulsões políticas, econômicas e sociais há muito mais tempo, a Venezuela responde pelo quinto lugar na mesma lista, embora nem todos os itens adquiridos não sejam produzidos por aqui – óleo de soja, concentrados, extratos de malte, açucares e arroz.

Em menor grau, Equador (US$ 8.97 milhões), Chile (US$ 4.05 milhões) e Peru (US$ 3.86 milhões) – nas 12ª, 21ª e 22ª colocações, respectivamente – também compram quantidade considerável de manufaturados da ZFM e podem, em tese, causar um efeito significativo para o valor global das vendas do Estado, caso suas crises se prolonguem indefinidamente.

“Não acredito que essas crises tenham vindo para durar. O Equador, por exemplo, já caminha para a estabilização. De qualquer forma, isso serve para reforçar a necessidade de o país e o Amazonas abrirem sua pauta de destinos comerciais e começarem a vender também para a Ásia e países árabes, por exemplo”, concluiu.

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