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Confiança do empresário da indústria mantém viés de baixa no Amazonas

Notícia publicada pelo Jornal do Commercio

A confiança do empresário industrial caiu pelo quarto mês seguido em maio. Desta vez, a região Norte puxou os números para baixo (-3,8 pontos) e foi duas vezes mais pessimista do que a média nacional, conforme números extraídos do ICEI (O Índice de Confiança do Empresário Industrial), divulgada nesta segunda (20).

Na pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria), o empresariado da indústria nacional reduziu suas expectativas no andamento da economia em 1,9 ponto levando o indicador a 56,5 pontos. Embora o ICEI ainda esteja na marca do otimismo – acima dos 50 pontos –, houve recuo de 8,2 pontos na avaliação do setor.

Todas as regiões, portes e segmentos amargaram queda. Em relação ao porte, a retração foi maior nas médias empresas (-2,6 pontos). Entre os segmentos, o destaque foi para a indústria de extração (-4,6 pontos). Em nota à imprensa, a CNI atribui o recuo à piora nas condições atuais da economia e das empresas.

Os números são uma reação ao desfile de indicadores negativos para a indústria brasileira em geral e para o Amazonas em particular. No mais recente levantamento do IBGE, só três atividades da indústria local cresceram entre março de 2019 e igual mês do ano anterior: indústria extrativa (+7%), coque e produtos derivados de petróleo e de biocombustíveis (+12,3%) e máquinas e equipamentos (+1,9%).

Com mais de 90% de sua produção voltada para o mercado interno e com uma cesta de produtos baseada em bens duráveis e dependentes de crédito, o PIM tem se mostrado mais vulnerável. Entre os segmentos mais tradicionais, apenas o de duas rodas cresceu neste ano, enquanto o de eletroeletrônicos vêm marcando passo.

A indústria também foi o setor que mais eliminou empregos no Amazonas, no acumulado de janeiro a março, conforme a edição mais recente da PNAD Contínua, do mesmo IBGE. Um total de 13 mil vagas (-7,5%) foram extintas em relação ao trimestre anterior. No confronto com o mesmo período de 2018, o corte subiu para 16 mil postos de trabalho (-8,8%).

Dificuldades no Congresso

O presidente da Aficam (Associação das Indústrias e Empresas de Serviços do Polo Industrial do Amazonas), Mario Okubo, diz que a instabilidade política decorrente das brigas internas do governo e da dificuldade de entendimento entre Executivo e Legislativo nas discussões da Reforma da Previdência estão afugentando os investidores

“Do jeito que está, fica complicado. As coisas precisam se acertar em Brasília, porque está faltando diálogo. Creio que o governo, que até então vinha agindo como uma entidade independente, começou a cair na realidade e perceber que não pode fazer tudo sozinho. Espero que sim, porque sem a Reforma, as coisas vão piorar muito”, desabafou.

De acordo com o presidente da Aficam, o panorama da indústria componentista do PIM – segmento representado pela entidade – é de alguma estabilidade, apesar de o volume de negócios se manter inconstante. “Não temos notícias de empresas interessadas em se instalar em Manaus, mas também não sofremos com o fechamento de fábricas em série, como ocorria há pouco tempo”, explicou.

Insegurança jurídica

O presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Perico, concorda quanto à instabilidade trazida pelas dificuldades de diálogo entre os poderes. O dirigente acrescenta ainda que a incógnita a respeito do teor e da amplitude da Reforma efetivamente aprovada pelo Congresso também fazem o investidor pisar no freio.

Outro fator de instabilidade que gera insegurança jurídica mais especificamente para os negócios da Zona Franca de Manaus é se, de fato, a Reforma Tributária irá contemplar as vantagens comparativas do modelo – como prometido, em mais de uma ocasião, pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

“É uma questão que trava os investimentos de quem está aqui e piora as perspectivas da chegada de novas empresas. De uma forma geral, já esperava dificuldades, embora não achasse que fossem tão grandes. Mas, minha crença de que as coisas vão melhorar não diminuiu. Pode ser que demore mais, mas chegaremos lá”, amenizou Perico.

Acima da média

Apesar da sequência de quedas, a CNI destaca que a confiança do empresário ainda pode ser considerada elevada, já que permanece acima da média histórica (54,5 pontos). Mas, a avaliação para os próximos seis meses também diminuiu – de 62,6 pontos para 60,8 pontos.

"Passamos por um momento de reavaliação, já que os empresários estão percebendo mais dificuldades (...) A Reforma da Previdência seria muito importante para uma recuperação da confiança e poderia sinalizar o andamento de outras reformas também importantes, como a Tributária, que teria efeitos mais imediatos na economia", concluiu o economista da CNI Marcelo Azevedo, na nota divulgada à imprensa.

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