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Coluna do CIEAM

Cieam debate desenvolvimento sustentável da Amazônia com a Usaid

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06/04/2017 18:14

Nesta terça-feira, 4 de abril, o CIEAM recebeu a visita de uma Missão da Usaid, Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional, atualmente associada a +UNIDOS – com “...o propósito do bem-comum e a missão de fortalecer parcerias de âmbito público-privado para aperfeiçoar e aumentar iniciativas de Responsabilidade Social Corporativa (RSC), no Brasil, das empresas norte-americanas ou filiadas aos Estados Unidos e para promover ações sustentáveis de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.” A última presença mais expressiva na região da Agência se deu nos anos 60, com o programa Aliança para o Progresso, um projeto político, com roupagem assistencial, do governo John F. Kennedy, com o objetivo de integrar os países da América nos aspectos político, econômico, social e cultural frente à ameaça comunista no continente. Era a Guerra Fria entre EUA e a antiga União Soviética, na disputa de quem dá mais e quem consegue mais adesão popular. Os planos dariam ênfase à educação, saúde, habitação e teriam como entidade articuladora da Aliança a USAID. Mais de 80 bilhões de dólares deveriam financiar o projeto, com os EUA disponibilizando para os países participantes cerca de 20 bilhões. Os tempos são outros, as figuras são Trump, Temer, Lava-Jato e Acordo do Clima. De prático, um convite para as empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Biotecnologia, conhecerem as oportunidades do polo industrial de Manaus e das novas matrizes de bioeconomia, numa apresentação daquele país na Feira da Amazônia, de novembro próximo. O CIEAM vai disponibilizar o conjunto de vantagens, planos e demandas de qualificação de recursos humanos- no âmbito do desenho ora em andamento das universidades – para atração de investidores.

A ABITA, o CBA e a diversificação do PIM

Durante a reunião - onde os representantes confirmaram seus propósitos de cooperação no âmbito regional das ações de desenvolvimento sustentável - foi apresentado o Programa Amazônia 2030, fruto de entendimentos entre CIEAM, Suframa e parceiros do Sudeste, Usp, Insper, FIPE, Coalizão Brasil Clima e Instituto Escolha, que está organizando e reunindo ações, projetos e programas das instituições que atuam no setor produtivo e na pesquisa e desenvolvimento no bojo da celebração da ZFM - anos e no contexto do Acordo do Clima. Foi constrangedor reconhecer publicamente que o CBA, Centro de Biotecnologia da Amazônia, não tem CNPJ, ou seja, não existe juridicamente há 15 anos, apesar do aparato tecnológico que construiu com os recursos pagos para a Suframa pelas empresas do polo industrial de Manaus. A boa notícia é que a Associação de Bioeconomia e Inovação Tecnológica da Amazônia, ABITA, composta por empresários da ZFM, cientistas, profissionais liberais, depois de cumprir a liturgia burocrática tem CNPJ. Ou seja, já pode trabalhar. Esta associação traduz o conjunto de aspirações, segmentos, propostas e, sobretudo, a definição de um novo caminho, representativo, transparente, plural e interdisciplinar para cumprir o destino de proteger a floresta com desenvolvimento de baixo carbono e interiorização das oportunidades.

CBA: a fogueira das vaidades continua

Os bolsistas do CBA, Centro de Biotecnologia da Amazônia, que estão segurando a peteca da instituição, apostam em P&D, cuidam das instalações e dão motivos para que todos acreditemos neste caminho, já vão para o segundo mês sem receber os proventos. Vetar o salário de alguém é a melhor forma de desequilibrar sua conduta e desmotivar seu desempenho. Muitos dos bolsistas, alguns de pós-doutorado, deixaram famílias em outros lugares, outros estados, para navegar neste desafio de mudança de que a região precisa. Quem está interessado em desmontar o que todos conseguimos organizar até aqui? Por que a briga de egos, agora alimentada com futricas e calúnias, tem mais importância do que o interesse público? Por que a classe política da Amazônia, supostamente a mais interessada, não é capaz de sentar, combinar e resolver de uma vez por todas esta questão? Por que os ministérios do Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia, Meio Ambiente, Das Forças Armadas, em lugar de ocuparem assentos colaborativos na gestão do CBA preferem alimentar disputas – a partir de Brasília – por um projeto que pertence ao cidadão? Por que vetar o CNPJ do CBA? Há quase dois meses, o CIEAM, com base na assinatura de todas as entidades afins e quase mil pessoas do tecido social, estudantes, pesquisadores, professores, donas de casa, profissionais liberais, encaminhou um abaixo-assinado para esses ministérios. Por que não houve uma manifestação pública, por que esse continuo desacato a cidadania, que se repete com o “não pode” empreender, não pode da insurreição que se impõe. Chega de acocho tributário, de gestão obscura, de oportunismo funcional e de burocratismo mal intencionado. O Brasil precisa da comunhão dos bons propósitos, troca de talentos e de criatividade para remover a crise, por isso repudia este paradigma mesquinho de gestão do interesse pública.

A quem interessa o "não pode"?

Esses impasses, tanto do veto do CBA, da recuperação da BR 319 e da liberação do polo industrial a quem favorecem? Todos são desafios de enfrentamento imediato. Constrange vetá-los. Isso se resolve com espíritos desarmados e disposição para o entendimento à luz do interesse da cidadania. A Polícia Rodoviária Federal tem protegido com denodo e competência todo o traçado da BR 174, ou seja, não consta ali a depredação alegada. E o Exército Brasileiro já confirmou decisão de voltar proteger a BR 319 a estrada que construiu há quase 40 anos. O “não pode” de alguns ambientalistas, para a BR como para as atividades minerais profissionalizadas, para o CBA precisa ser trocado por acordos transparentes, com finalidades bem definidas, com a presença colaborativa dos ministérios tanto o MPF como o MPE. O que não pode é o IDH do Amazonas constranger a todos nós, no sentido obscuro da exclusão, tendo como o maior empregador do estado o narcotráfico. E isso tem implicações desastrosas. A atividade mineradora, entre as demais adotadas por projetos federais, é aquela de menor impacto se tomarem as medidas inteligentes de monitoramento e mitigação. Porém, isso se resolve, repetimos, com espíritos desarmados e disposição para o entendimento à luz do interesse da cidadania.

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Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. Editor responsável: Alfredo MR Lopes. cieam@cieam.com.br

Publicado no Jornal do Commercio do dia 06.04.2017

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