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CBA surge como alternativa

Fonte: Jornal do Commercio

Marco Dassori

Um conjunto de projetos governamentais pode sinalizar novos tempos para a economia do Amazonas e da Zona Franca de Manaus em particular. Os planos correm em sintonia com a declaração do ministro da Economia de que “o pior inimigo do meio ambiente é a pobreza”. Ocorrido nesta terça (21), no âmbito do Fórum Econômico Mundial de Davos (Suiça), o comentário de Paulo Guedes tratava justamente da relação entre indústria e meio ambiente.

No mesmo dia, matéria da Folhapress antecipou que a comitiva do Brasil em Davos deve anunciar, durante o evento, a criação de um centro de negócios sustentáveis na Amazônia.

A quilômetros dali, em Brasília (DF), o presidente Jair Bolsonaro revelou que pretende criar o Conselho da Amazônia, a ser coordenado pelo vice-presidente da República, Hamilton Mourão. Em publicação no Twitter, o presidente explicou que Conselho da Amazônia contará com a própria estrutura da vice-presidência.

Durante toda a manhã de ontem, Bolsonaro esteve reunido com sua equipe de ministros no Palácio da Alvorada, em encontro do qual participou também o vice-presidente Hamilton Mourão.

O objetivo é coordenar as diversas ações em cada ministério voltadas para a proteção, defesa e desenvolvimento sustentável da Amazônia. “Dentre outras medidas determinadas, está também a criação de uma Força Nacional Ambiental, à semelhança da Força Nacional de Segurança Pública, voltada à proteção do meio ambiente da Amazônia”, escreveu Bolsonaro.

Negócios sustentáveis

O projeto do novo centro de negócios sustentáveis na Amazônia já foi apresentado ao professor Klaus Schwab, criador do Fórum. Pela agenda, deve ser oficialmente lançado em quatro meses, dentro dos trabalhos da versão latino americana do Fórum Econômico, que ocorre de 28 a 30 de abril em São Paulo. A proposta da equipe econômica é transformar o CBA (Centro de Biotecnologia da Amazônia) num centro de negócios voltado à geração de produtos e empresas ambientalmente responsáveis. A ambição é que a nova versão do centro transforme a Amazônia em referência global na geração de negócios sustentáveis. O CBA ocupa uma área de 12 mil quilômetros quadrados e tem 25 laboratórios dentro da área da Zona Franca de Manaus. Nos últimos anos, vinha atuando como centro para desenvolvimento de biotecnologias e como prestador de serviços nas áreas de microbiologia e segurança tóxica. É gerenciado pela Suframa, em parceria com o governo do Amazonas.

“Nós já tínhamos orientado o CBA para isso, mas agora ele vai ganhar um perfil mais global. Ele será brasileiro, mas vai contar com iniciativas globais para negócios sustentáveis, com a visão de preservar e, ao mesmo tempo, gerar empregos”, declarou o titular da Sepec (Secretaria de Produtividade, Emprego e Competitividade) do Ministério da Economia, Carlos da Costa, à Folhapress. Nessa repaginação, o CBA terá incubadoras, centro de discussões e fomento de novos negócios, bem como conexão com centros acadêmicos do Brasil e do mundo. Costa informa que o governo está em contato com a Universidade de Stanford e com o MIT (Massachusetts Institute of Technology) para uma eventual representação no Centro. “Haverá um espaço para que as maiores empresas do mundo também startups, levem para lá um centro de desenvolvimento de produtos sustentáveis”, acrescentou.

Biotecnologia e bioeconomia Em dezembro, a Suframa já havia anunciado que o principal objetivo do novo CBA será o desenvolvimento de produtos, a prestação de serviços e a geração de negócios voltados para a inovação biotecnológica e da bioeconomia. Para isso, a nova gestão está trabalhando na reativação de áreas como os laboratórios da Central Analítica; de Biologia Molecular; e de Farmacologia, além de manter as áreas já em operação. Há também o projeto de instalar uma incubadora de bionegócios, para agregação de valor aos trabalhos.

“No novo CBA estão sendo desenvolvidos 23 projetos, com foco no desenvolvimento de produtos e transferência de tecnologia, em fase inicial, por meio do Programa Nacional de Apoio ao Desenvolvimento da Metrologia, Qualidade e Tecnologia. São projetos que abrangem as áreas de saúde humana, cosméticos, alimentos, agronegócios e indústria”, listou o coordenador-geral de Planejamento e Programação Orçamentária da Suframa e membro titular da Autarquia no Grupo de Gestão do CBA, Fábio Calderaro. Aposta na bioindústria Em entrevista concedida anteriormente ao Jornal do Commercio, o presidente da Fieam, Antonio Silva, já havia destacado a importância da ZFM na conservação da cobertura florestal do Amazonas e salientado a necessária de diversificar o PIM, agregando outros segmentos pela inovação tecnológica.

“Quanto aos diferenciais da nossa região, temos muita confiança que com a atuação dos governos federal e estadual, bem como da classe política amazonense, haveremos de viabilizar o grande potencial da bioindústria do nosso Estado”, arrematou o presidente da Fieam, Antonio Silva. Pesquisa aplicada As últimas medidas do governo federal para a Amazônia vêm dividindo a bancada amazonense no Congresso. O deputado Marcelo Ramos (PL-AM), por exemplo, diz que a prioridade para o desenvolvimento sustentável da região deve passar pelo investimento em pesquisa aplicada, mas atual estrutura do CBA o impossibilita de atender essa meta. Para o parlamentar, o Centro foi enfraquecido em função de “preconceito” com “universidades e instituições de pesquisas”. O político considera também que, nem a instalação do Conselho da Amazônia, nem a criação da Secretaria da Amazônia, anunciada dias antes, pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, vai garantir o investimento necessário em pesquisa aplicada para fortalecer o CBA.

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