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Bicicletas tem começo lento na produção, aponta dados da Abraciclo

Fonte: Jornal do Commercio

O Setor de duas rodas do PIM (Polo Industrial de Manaus) registrou em janeiro uma produção de 56.410 bicicletas. O volume fabricado mostra uma queda de 3,8% em relação ao mesmo período do ano passado, quando as montadoras produziram 58.611 unidades. Apesar do recuo na produtividade, representantes do setor projetam para 2020, uma produção de 987.000 unidades em Manaus. Mudança no comportamento do consumidor e maior oferta de crédito no mercado estimula expectativa de crescimento. Os números foram divulgado ontem (13), pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares).

Apesar do recuo na produção no início do ano, janeiro registrou uma alta de 171,9% em relação a dezembro do ano passado, quando as empresas produziram 20.747 unidades. Segundo o vice-presidente do segmento de bicicletas da entidade, Cyro Gazola, os resultados na produção são reflexos das férias coletivas adotadas pelas empresas, no fim do ano, para a reparação dos equipamentos do processo produtivo.

“Ao avaliarmos esses números, temos que fazer duas considerações: dezembro é um mês em que a indústria adota férias coletivas para realizar manutenção nos processos produtivos e instalar novos equipamentos. Por isso, a alta expressiva na comparação mensal. Segundo: apesar do ligeiro recuo registrado em janeiro, o setor mantém crescimento contínuo e consistente, o que nos leva a esperar um crescimento de 7,3% para este ano”, explica.

De acordo com a Abraciclo, a maior oferta de crédito no mercado brasileiro estimula a evolução de novos negócios e anima as montadoras do PIM a investir no seu processo produtivo. Além disso, Cyro Gazola, destaca a mudança do comportamento do consumidor brasileiro nos últimos anos, em relação a bicicleta, como um importante transporte de fácil mobilidade nas grandes cidades.

“A qualidade dos produtos nacionais em relação às bicicletas globais, tem sido um fator importante para atrair o consumidor brasileiro.Além dos preços mais acessíveis, devido ao aquecimento da economia, os bancos e demais instituições financeiras estão oferecendo linhas de crédito mais atrativas e com juros mais baixos. O aumento na produção é resultado de um conjunto de fatores que vai desde melhoria do cenário até a opção de mobilidade”, avalia o executivo.

Gazzola destacou ainda, que a cidade de Manaus esteve até 2019 entre as últimas cidade do Brasil no quesito de tamanho e qualidade da infraestrutura viária. E reforçou, que existe um trabalho sendo realizado para melhorar a mobilidade urbana de ciclistas na cidade, Se aprovado, o setor de duas rodas no PIM também será beneficiado com o aumento do consumo de bicicletas.

“A prefeitura municipal tem um projeto de grande ampliação revisado e aprovado, que está em fase de concorrência para execução em 2020. A Abraciclo participou da discussão e compartilhando pareceres técnicos visando esta ampliação que, uma vez realizada, será um marco na melhoria da mobilidade urbana da cidade”, disse.

Analise

Segundo o economista Ailson Rezende, o segmento vem apresentando um crescimento constante, e a cada ano produz mais que o anterior. A produção de 2018 foi de 773.641 unidades, 2019 foi de 919.924 e a previsão para 2020 é de 987 mil unidades. “O segmento montador de bicicletas gera 1.100 empregos diretos e aproximadamente 3.500 empregos indiretos. É um segmento que se destaca no cenário nacional, atraindo para o polo industrial de Manaus, empresas de renome internacional como Caloi, S2 (Sense) e Cannondale. Com a busca por uma vida mais saudável, a bicicleta entra na lista dos produtos de consumo para atingir esta meta, o que beneficia os fabricantes destes veículos”, disse.

Para o economista, apesar da precariedade das vias e até da falta de ciclovias em Manaus, o amante do ciclismo continua a exercitar sua paixão pelo transporte. Segundo ele, esse fator tem contribuído para o aumento do consumo do produto e consequentemente contribuído para o aumento da produção nas indústrias de Manaus. Além disso, as facilidades do mercado e o baixo custo para investir no transporte, são fatores que tem animado as montadoras.

“Andar de bicicleta passou a ser um evento de grupos em todo o Brasil. A bicicleta é um excelente meio de transporte, baixo custo e agora, para a reunião de amigos, uma alternativa para pedalar à noite. É evidente que se nossa cidade fosse dotada de infraestrutura para a circulação desse veículo, a venda de bicicletas poderia aumentar aqui na capital amazonense. O aumento de produção, em qualquer segmento industrial, gera emprego, faz circular renda e amplia a arrecadação de tributos, agindo de forma positiva na nossa economia”, explicou.

Coronavirus

Em relação ao uso de insumos e componentes importados da China, Gazola ressaltou que 50% da matéria prima são de origem do país asiático. A atual situação da importação do país chinês impactados com o surto de coronavírus, ainda encontra-se em estado de analise, e ressaltou que todos os fatores que envolvem as transações comerciais de importação não sofreram alteração.

“Neste momento não vemos preocupação para alardes. Aproximadamente 50% dos insumos para a produção são provenientes desta região. Após o retorno dos fornecedores do período do ‘Ano Novo Chinês’, feriado de duas semanas na região, estamos em contato com os fornecedores e ainda não temos nenhuma mudança relevante nos planos acordados”, disse.

Cyro reforçou ainda, que dependendo do tipo de insumo e componentes, o setor de bicicleta trabalha com uma cobertura de estoques que variam de dois a quatro meses. “Em paralelo, o setor já opera de forma relevante com fornecedores nacionais, principalmente para insumos e componentes tais como aço, alumínio, pedivelas, correntes, selim cabos e pneus”, frisou.

Resultado por categoria

Em janeiro deste ano, a mountain bike foi a categoria mais produzida com 35.157 unidades e 62,3% de participação no mercado. Em relação ao mesmo período do ano (31.294), registrou uma alta de 12,3%. Comparado com dezembro (11.423 unidades), o crescimento foi de 207,8%. De acordo com Gazola, o segmento vem mostrando um bom crescimento nos últimos anos.

“Esse tipo de bicicleta passou a ser utilizado também nas cidades, apesar de sua aplicação clássica como off-road. Os números mostram que a cada ano a categoria registra alta em sua produção: em 2018 saíram do PIM 330.573 unidades e em 2019, esse volume aumentou para 436.795 bicicletas, correspondendo a um crescimento de 32,13%. Esse resultado fez a MTB ultrapassar a Urbana, que era a categoria mais produzida no Brasil”, explicou.

A categoria Urbana/Lazer ficou em segundo lugar no ranking das mais produzidas, com 14.573 unidades e 25,8% de participação. O volume é 29,3% inferior ante as 20.605 unidades fabricadas em janeiro do ano passado, e 91,4% superior na comparação com dezembro (7.614 unidades).

Na sequência, veio a Infanto-Juvenil que registrou 4.584 unidades fabricadas, o que representa 8,1% de participação no mercado. Na comparação com o volume fabricado no mesmo mês de 2019 (5.515 unidades), houve queda de 16,9% e em relação a dezembro (911 unidades), alta de 403,2%.

Em quarto lugar, ficou a Estrada, com 1.391 unidades e 2,5% da fatia do mercado. O volume fabricado foi 85,2% superior ao registrado em janeiro do ano passado (751 unidades) e 154,3% maior ante as 547 bicicletas produzidas em dezembro. Já a produção da Elétrica somou 705 unidades, o que representa 1,2% de participação. Na comparação com janeiro de 2019 (446 unidades), a alta foi de 58,1% e em relação a dezembro (252 unidades), o aumento foi de 179,8%.

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