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Balança comercial no bimestre retrata estagnação da economia amazonense

Notícia publicada pelo Jornal do Commercio

Marco Dassori

A corrente de comércio exterior do Amazonas voltou a encolher em fevereiro, sendo que o ritmo de queda foi maior para as exportações e menor para as importações, quando comparado a janeiro. Os números foram extraídos da base de dados do Mdic (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços).

A queda nas importações de fevereiro foi de 2,48%, acumulando US$ 758.58 milhões (2019) contra US$ 777.85 milhões (2018). As exportações do mês, por sua vez, diminuíram o passo em 6,60%, ao sair de US$ 56.80 milhões (2018) para US$ 53.05 milhões (2019). Um mês atrás, esses mesmos índices foram negativos em 7,75% e 14,17%, respectivamente.

No balanço do primeiro bimestre de 2019, as compras do Amazonas no exterior recuaram de US$ 1.78 bilhão (2018) para US$ 1.68 bilhão (2019), uma diferença de 5,62%. A retração nas vendas externas foi de 5,57% em relação aos dois primeiros meses do ano passado e acumularam US$ 116.26 milhões (2019) contra US$ 123.12 milhões.

Em fevereiro, o ranking dos importados foi capitaneado, como de costume, pelos insumos para o PIM (Polo Industrial de Manaus). Partes e peças para televisores e outros aparelhos eletroeletrônicos encabeçaram a lista e estiveram entre os poucos itens a crescer entre um ano e outro: US$ 153.91 milhões (2019) contra US$ 174.57 milhões (2018). Circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos (US$ 112.96 milhões), telefones celulares (US$ 42.64 milhões) e platina (US$ 40.27 milhões) também se destacaram.

A lista de fornecedores do Amazonas, em fevereiro, foi liderada novamente pela China (US$ 266.36 milhões). Em um distante segundo lugar, vieram os Estados Unidos (US$ 83.86 milhões). Coreia do Sul (US$ 71.92 milhões), Taiwan (US$ 52.25 milhões) e Vietnã (US$ 51.13 milhões) ocuparam as posições seguintes.

Houve uma certa recuperação dos produtos industrializados no rol das vendas externas. Mas, assim como ocorrido em janeiro, o item mais vendido pelo Estado voltou a ser a soja, que multiplicou seu montante em mais de 25 vezes entre 2018 (US$ 385.950) e 2019 (US$ 9.87 milhões) – graças às compras da China US$ 6.4 milhões. Preparações alimentícias (US$ 9.13 milhões), motocicletas (US$ 7.07 milhões), ferro-ligas (US$ 4.78 milhões) e circuitos integrados (US$ 3.91 milhões) vieram na sequência.

A China também voltou a liderar o ranking dos principais destinos das exportações do Estado em fevereiro, além de aumentar suas compras de US$ 2.34 milhões (2018) para US$ 7.82 milhões (2019), uma diferença de 234,19%. Argentina (US$ 6.04 milhões), Venezuela (US$ 5.17 milhões), Colômbia (US$ 4.61 milhões) e Uruguai (US$ 4.43 milhões) vieram em seguida.

Longo prazo

Na análise do coordenador da Comissão de Logística do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), professor da Ufam (Universidade Federal do do Amazonas) e empresário, Augusto Cesar Barreto Rocha, ainda não há uma recuperação dos números de comércio exterior em virtude do atual cenário econômico do país.

“Há um otimismo generalizado com o futuro, de longo prazo. Entretanto, ainda não se verifica o otimismo do consumidor brasileiro, nem oportunidades de negócios para a indústria no presente. Ninguém está movimentando, nem vendendo. As expectativas são elevadas, mas o presente ainda não está tão bom”, pontuou.

Em depoimento anterior ao Jornal do Commercio, o gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Marcelo Lima, disse que o valor agregado das exportações do Amazonas deve continuar aumentando, em virtude de um aquecimento nas linhas de produção de motos e de TVs para atender “timidamente” os mercados da Colômbia, Chile e Uruguai.

China e soja

Em relação ao papel de destaque da China e da soja na pauta de exportações do Amazonas, Augusto Cesar Barreto avalia, baseado em suas leituras, que os produtores brasileiros e os portos da região Norte do país saíram ganhando com o embate comercial entre o país asiático e os Estados Unidos.

“Esse carregamento está saindo pelo Porto de Itacoatiara. Creio que o escoamento pelo Arco Norte é uma boa oportunidade para o Amazonas incrementar seu comércio exterior vendendo soja em contêineres, o que ainda não está sendo feito”, opinou.

Marcelo Lima destaca que, embora a soja vendida pelo Estado tenha sido remetida pelo terminal graneleiro de Itacoatiara (a 269 km de Manaus), boa parte da safra vem do Mato Grosso. Mas, segundo o diretor executivo do CIN/Fieam, as oportunidades do Amazonas podem estar com os dias contados nesse quesito. “Há planos de que essa operação seja feita futuramente pelo terminal de Santarém [PA]”, concluiu.

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