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AM tem baixo desempenho e está na 16º posição na criação de peixes

Fonte: Jornal Em Tempo

Apesar da pesca e piscicultura serem atividades econômicas lucrativas que geram renda para milhares de pessoas em todo o Amazonas, o mercado de produção de peixes do estado está longe de ser autossuficiente. Dados divulgados pela Secretaria Executiva de Pesca e Aquicultura do Estado (Sepa) no ano passado revelam que pelo menos 58% do pescado comercializado é oriundo de estados vizinhos como Rondônia e Roraima.

No cenário nacional, o Amazonas também está em desvantagem. Segundo o Anuário da Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR), o Amazonas caiu da 8ª para a 16ª posição na cadeia de peixes de cultivo, com apenas 15.270 toneladas de espécies nativas produzidas. Houve uma queda de 45,5% em relação ao ano de 2018.

Custos de produção, falta de profissionalização e questões ambientais são apontadas como barreiras por representantes do setor no Amazonas. “A questão ambiental aqui é mais complicada que em outros estados. Em Roraima, eles podem cultivar tanques em até 60% da área. Aqui só podemos mexer em 20%. Mas a principal dificuldade é a falta de profissionalização e empreendedorismo”, diz o presidente da Associação Independente de Aquicultores do Amazonas (Aquam), Luiz Elder Bonfá.

“Estamos tentando nos organizar para podermos nos beneficiar. Só queremos que o governo faça a parte dele oferecendo infraestrutura. O resto é com a gente”, acrescenta o presidente. No criadouro de Bonfá, em Rio Preto da Eva, são produzidos 140 mil peixes das espécies de tambaqui e matrinxã por ano, que são comercializados em feiras, restaurantes e supermercados da capital.

Obstáculo

Já para o piscicultor Maurício Carvalho, que atua há 20 anos no ramo, o preço da ração é um dos maiores obstáculos para a atividade.

“Aqui é bem mais caro que no resto do Brasil. Não temos produção de milho ou soja que são necessários para a produção desses alimentos, logo, não temos uma competição favorável. 70% do custo da produção é só de ração. Rondônia produz milho e tem estrada. Aqui, a logística é sofrível. Se em torno de Manaus é difícil, imagine no interior”, diz Carvalho, cujo criadouro produz cerca de 5 toneladas de tambaqui anualmente.

De acordo com o presidente da Federação de Pescadores dos Estados do Amazonas e Roraima (Fepesca), Walzenir Falcão, os pescadores são muito desassistidos pelo governo. “O pescado local só é procurado no período da Semana Santa e isso não pode acontecer. O governo precisa fazer uma infraestrutura de apoio logístico a essa cadeia produtiva, porque gera renda e sobretudo emprego”, argumenta o representante.

Segundo a entidade, aproximadamente 200 mil pessoas vivem da pesca em todo o Amazonas. “São duas Suframas nos rios e beiradões do estado. O peixe do pescador precisa de atendimento, pois trata-se de uma das proteínas mais importantes para a alimentação do povo”, complementa.

Falcão também cita que a Federação tem tido dificuldades para estabelecer diálogo com o governo do Estado.

Incentivos

O presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca, Aquicultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural a Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), deputado Augusto Ferraz, reconhece que a atividade pesqueira ainda é pouco explorada no Amazonas, mas afirma que essa realidade está mudando aos poucos. “Nunca se deu a importância necessária para que os pescadores pudessem dar vazão a toda sua atividade extrativista, uma vez que a infraestrutura para atender a demanda e fazer o peixe chegar no prato do amazonense sempre foi precária”, critica o deputado.

“O governador parece que entendeu que temos um polo comercial pouco explorado e que pode ser uma alternativa econômica para o Amazonas, e agora tem se feito investimentos na pavimentação de estradas e vicinais que ligam os pescadores aos centros consumidores. Acreditamos que parte daí para que a realidade de consumirmos peixes de outros estados possa mudar, afinal, temos a maior cadeia produtiva de pescado, com centenas de espécies, e não podemos nos satisfazer comprando pescado de estados vizinhos”, aponta o parlamentar.

De acordo com o titular da Sepa, Leocy Cutrim, a secretaria vem atuando para ampliar a produção aquícola por meio de ações diretas no ensino de boas práticas de manejo e gestão da piscicultura. “Em 2019, foram capacitados 352 piscicultores em nove municípios das mais diversas regiões como Rio Preto da Eva, Maués, Tabatinga, São Paulo de Olivença e Manicoré. Aliado à capacitação, a Sepa apoia piscicultores na regularização ambiental da atividade”, informa o secretário.

Há cerca de 3,5 mil piscicultores no Amazonas, de acordo com o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado (Idam). O órgão anunciou recentemente que mais de 400 pescadores artesanais e piscicultores amazonenses foram beneficiados com o convênio firmado entre o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e Idam. O projeto, orçado em mais de R$ 719 mil, abrange sete municípios do Estado e tem como objetivo atender, até abril de 2020, um total de 800 famílias rurais com os serviços de assistência técnica e extensão pesqueira e aquícola.

“A maior produção aquícola do Amazonas é proveniente dos municípios localizados no entorno de Manaus, contudo na região Sul do estado a piscicultura está em fase de crescimento”, revela o titular da Sepa. “Porém devemos salientar que existe um grande consumo de pescado oriundo da pesca, volume este que ultrapassa e muito a produção aquícola”, completa.

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