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“É preciso desenvolver novas competências”, defende especialista sobre reindustrialização nacional

Reportagem publicada pela Agência do Rádio

Apesar de a indústria ter apresentado crescimento no mês de setembro em seis dos 14 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a retomada de todo o potencial industrial ainda é um desafio para o Brasil, segundo especialistas. O País registrou queda na participação da indústria na economia brasileira da década de 40 para cá. Em 2006, por exemplo, a indústria tinha participação de 27,7% no Produto Interno Bruto (PIB). Em 2016, houve recuo na atividade para 21,2%.

Se comparado a outros países, o Brasil perdeu espaço no setor industrial mundial entre 2006 e 2016, segundo a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido). Em 2006, a participação brasileira na indústria mundial era de 2,74%. Em 2016, caiu para 1,84%. A China, em 2006, tinha 12,56% de participação no setor. Em 2016, subiu para quase 25%.

“Quando um país vai enriquecendo, parte do valor adicionado da atividade industrial pura vai caindo. No entanto, a chamada densidade industrial, que é a produtividade por trabalhador na indústria, aumenta. Ou seja, a indústria vai se sofisticando, ela vai contando com outros serviços que aumentam a produtividade da indústria”, explica o diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), Carlos Alexandre da Costa.

Ele defende que a criação de empregos não está concentrada nos manufaturados, setor em que o Brasil vem registrando queda se comparado ao México, por exemplo. “A geração de empregos está ali onde todos os serviços que fazem parte do complexo industrial, que é o que gera exportação, que é o que gera royalties, que é o que gera progresso para o nosso povo.”

Para o gerente-executivo de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, “o Brasil não aparece muito bem na foto.” A competitividade da indústria brasileira está na 17ª posição em uma lista com 18 países. Ele acredita que para que o País volte a se reindustrializar, não se pode repetir as estratégias do século passado e que é preciso desenvolver novas competências. "Nós precisamos fazer com que produzir no Brasil custe menos. Isso não significa que o salário tenha que ser menor, mas os custos associados ao salário, os encargos, têm que ser menores. E, principalmente, que a produtividade desse trabalhador por maior qualificação, educação, acesso a meios de produção, capital mais modernos sejam também maior. Com mais produtividade, os salários vão crescer."

Indústria no Norte

Ainda que tímido, a indústria apresentou crescimento na passagem de agosto para setembro deste ano, segundo pesquisa divulgada pelo IBGE na última quarta-feira (8). O percentual foi de 0,2%. Se comparado com o mês de setembro do ano passado, o crescimento foi de 2,6%. Alguns estados tiveram destaque no mês de setembro, como foi o caso do Pará, que registrou alta de 2,0%. Porém, as atividades industriais no Amazonas tiveram recuo de 1,1%.

O economista e ex-prefeito de Rio Branco Angelim (PT-AC) afirma que a infraestrutura das rodovias, em especial a do Norte, ainda é deficitária. Para ele, a malha ferroviária é pequena para a extensão do País e a hidroviária não é utilizada como poderia ser. “A gente fica dependendo basicamente dos transportes rodoviários, que têm custos altíssimos e encarecem em demasia o custo dos produtos e perde competitividade com os produtos importados.”

Angelim, que agora atua como deputado federal pelo Acre, defende que a indústria brasileira vai começar a crescer quando apostar no potencial interno. “Uma das grandes questões do Brasil é que precisamos trabalhar mais, agregar valor às nossas matérias primas. Um país que tem uma política industrial consistente, madura, agrega valor a essas matérias primas, ele processa.”

Amazonas e Pará foram os estados da região Norte pesquisados pelo IBGE em relação ao crescimento industrial na passagem de agosto para setembro. A produção no terceiro trimestre de 2017 ficou 3,9% no Amazonas e 12,1% no Pará. No ano passado, o Amazonas tinha registrado queda de 8,1% e o Pará havia crescido 9,7%.

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