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Incerteza política pesa; Bolsa cai e dólar volta ao patamar de R$ 3,30

Reportagem publicada pelo site Valor Econômico

O dólar se afasta das mínimas da sessão e opera próximo da estabilidade no início da tarde desta terça-feira. O movimento é amparado pelo enfraquecimento de algumas divisas emergentes, com destaque negativo para o rublo russo e a lira turca.

O comportamento do câmbio local sinaliza que o alívio pontual trazido pelo começo da reforma ministerial por aqui não é suficiente para garantir posições mais positivas no mercado.

No balcão, por volta das 14 horas, a divisa americana era cotada a R$ 3,3021, em alta de 0,12%, já com distância ante a mínima do dia, de R$ 3,2678. O contrato futuro para dezembro - que captou ontem a reação à movimentação política - subia 0,52%, a R$ 3,23030.

O começo da reforma ministerial, antecipado pelo pedido de demissão de Bruno Araújo na segunda-feira, até permitiu alguma animação nos mercados locais. A troca de cadeiras abriria espaço para acomodar políticos do "centrão" e, assim, aumentar o potencial respaldo parlamentar à agenda do governo, inclusive a reforma da Previdência.

Juros

Os juros futuros revertem as quedas no início da tarde desta terça-feira, operando bem próximos estabilidade. O comportamento das taxas indica que, apesar de um ânimo inicial, a perspectiva de reforma ministerial ainda não garante posições mais positivas no mercado.

O começo da reforma ministerial até permitiu alguma animação nos mercados locais. A troca de cadeiras abriria espaço para acomodar políticos do "centrão" e, assim, aumentar o potencial respaldo parlamentar à agenda do governo, inclusive a reforma da Previdência.

O DI janeiro de 2021, por exemplo, caiu até 9,340% na mínima do dia, ante 9,440% no ajuste anterior. Já por volta das 14 horas a taxa registrava 9,440%.

A melhora dos mercados durante a manhã foi definida por alguns agentes financeiros como algo mais pontual, com efeito de algum ajuste. "Houve uma animação com a reforma ministerial mas a distância para aprovação da reforma da Previdência é grande", diz o sócio e gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi. "A queda das taxas foi algo mais pontual do que um movimento estrutural, ainda tem muita incerteza no radar", acrescenta.

O ambiente externo também é motivo de operações mais defensivas para emergentes. A inflação aos produtores nos Estados Unidos foi de 0,4% em outubro, acima da alta de 0,1% prevista por especialista. Amanhã (15) estão previstos os dados de inflação ao consumidor. O avanço nos preços americanos é um dos pontos, diante do crescimento mais acelerado da atividade por lá, que pode levar o Federal Reserve (Fed, banco central americano) a trabalhar com juros mais altos.

Entre as taxas mais longas, o DI janeiro/2023 subia a 10,260% (10,250% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025, a 10,640% (10,600% no ajuste anterior).

Bolsa

O mercado brasileiro de bolsa entra na segunda etapa do pregão sem uma direção clara, ao mesmo tempo que o dia ainda é bastante negativo para as ações da Petrobras.

Perto das 14 horas, o Ibovespa tinha queda de 0,73%, aos 71.943 pontos. O giro financeiro em bolsa era de R$ 3,42 bilhões. Petrobras ON acentuava perdas, com baixa de 5,78%, enquanto o papel PN declinava 5,23%. Vale ON perdia 1,87%.

Na ponta positiva, a JBS ON (+4,88%, a R$ 8,41) continua liderando as altas.

Notícia do Valor informa que os fundos de pensão Previ (do Banco do Brasil), Funcef (da Caixa Econômica Federal) e Petros (dos funcionários da Petrobras) aderiram à arbitragem "coletiva" contra a companhia, que busca reproduzir no país o mecanismo da ação coletiva que corre contra a empresa nos Estados Unidos.

No entanto, as recentes tentativas do Ibovespa de recuperar terreno acompanham os desdobramentos na frente política no Brasil, de olho nas articulações em torno dos partidos do "centrão" e da reforma ministerial de Temer que viabilize a aprovação de reformas junto ao Congresso.

(Lucas Hirata e Juliana Machado | Valor)

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